terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Palavras..





As palavras escassearam
O tempo parou, inédito
A saudade...
O amor...
São palavras distantes
Que eu outrora conheci
Que se manifestam neste presente incerto
Tanta oportunidade perdida
Tanta saudade
Tanto amor
Tanta imensidão que encheu
Aquele transbordar de vazio
Afoguei-me nos sonhos
De palavras sem letras
Já só resta essa vasta fragância
Essa aroma de um beijo falso
Que matou impiedosamente a saudade
Que a deixou rastejando
Suplicando palavras de amor
Que nunca foram ditas
Já de nada serve um olhar frio
Aquele que me aquecia
Já de nada serve um sorriso cínico
Aquele que me mantinha a esperança
Já de nada serve um beijo falso
Aquele que fazia esquecer
Já de nada serve um “ desculpa”
Aquele que me fazia perdoar
Porque o orgulho tomou as rédeas do amor
E então ele deixou de ser livre
De pedir, suplicar, implorar.
Cada olhar frio, cada sorriso cínico
Cada beijo falso, desculpa
Mas o amor calou-se
As palavras já não correm supérfluas
As palavras rasgaram o silêncio
O tempo é o senhor da vontade
Este nada, esta ausência
Este amor...
Já de nada serve
Já só é simplesmente uma palavra.

1997

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