terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Da musica se faz corpo e do corpo a mente...



Há muito que não escrevo, tanto que é deveras difícil concretizar o objectivo final desta caneta e deixá-la correr enquanto cria cadeias de símbolos…dar-lhes-ei alguma vez algum sentido?! Não creio… e o meu cepticismo acentua-se ainda mais quando tento atribuir significados descodificando o que nunca será um género de mensagem que aspira a ser coerente.
Tento ser coerente, mais do que posso ou quero…mas a inteligência obriga-me a adaptar-me, o que por vezes confundo com acomodar-me. Mas quem disse que a adaptação me faria alguém digno de inteligência?!
O G será cognitivo (factor) ou sexual (ponto)? De qualquer maneira alcançá-lo nas duas perspectivas torna-nos satisfeitos. Será que Spearman considera que a conquista intelectual equivale a uma vida orgásmica? Ou será o ponto sexual orgásmico contribuidor para uma vida intelectualmente prazerosa?
Talvez exista um ponto ou um factor geral ou erógeno na música e na dança…na dança da música…
O quanto é complexo e, antagonicamente modesto o acto que traduz fisicamente o que sentimos devido ao que os nossos ouvidos assimilam e o nosso cérebro codifica…para que da próxima vez somente descodifique e deixe a mente voar através do corpo. Como puderam um dia separar a soma da psique? É um amor obsessivo cúmplice, que assume as mais variadas formas fusiformes.
Será que as pessoas se apercebem do “milagre” que praticam com elas próprias enquanto a sua mente (a um nível consciente e a um nível inconsciente psicanalítico ou infraconsciente cognitivo) cria novas redes neuronais e provoca no corpo a reacção mais bela a observarmos no homo sapiens: dançar!
Porquê falar sobre a dança? Nem eu sei bem…para além da experiência pessoal e das inúmeras noite que me deliciei a praticar o que me proponho a investigar…as horas estáticas em que observei outros membros da espécie a baloiçarem-se em pistas de discotecas entre ritmos fortes, batidas desconcertantes, baladas límbicas, estilos que se intercruzam e provocam o que considero o comportamento mais mágico e complexo do Homem.
Não possuo respostas. Procuro as perguntas certas para não me perder entre o vasto leque de pontos de interrogação sem significante, que frequentemente me assaltam o pensamento diário e a vida onírica.
Ouvir sons, atribuir-lhes significados gerais e pessoais (interpretação cognitiva e emocional) e tentar exprimir isso através de movimentos corporais comporta um multifacetado processo de compreensão e comunicação gestual.
O que se passa a nível cerebral quando dançamos? Como actua o cérebro? O que provoca no corpo? Será algo inato ou uma resposta ambiental com fins (auto) terapêuticos que a filogenia condicionou e o simbolismo social e cultural atribuiu códigos e confinou a prática da arte da dança a sítios restritos e específicos?

2005

4 Elementos...


O mar já não tem segredos
e a lua não passa de fragmentos.
Têm razão de ser estes meus medos,
Afinal... Condenam os pensamentos...


Esta terra, colecção de antiguidades,
ameaça ruir a qualquer momento!
Que engraçado (!), sentir, por vezes, saudades,
se não há por ela qualquer sentimento.


O fogo ardente da paixão terminou!
Não sobra mais que um lume brando
de um amor que se instalou
numa pedra que vai estalando.


De repente tudo faz sentido:
o corpo tem várias almas, várias emoções...
vivendo vários destinos, indefinido...
Como o vento sopra em várias direcções...


2000

Sentir...



Sentir cá dentro
Algo a nascer
Sentir no centro
De alma a dizer
O que se pensa e sente
Gritar
A toda a gente
Que o que nos faz viver
È este amor
Que se sente,
Que nasce dentro,
No centro
Da alma da gente.

1998

Paixao do mar...



Mergulhei ao fundo do mar
Para ver se encontrava sentido,
Palavras que não consigo falar,
Gestos, sons e olhares perdidos.
Mergulhei ao fundo de mim,
Nas ondas do mar revolto,
Naufrágios, tempestades sem fim,
Um grito desesperado solto!!
E a calmaria de novo regressa
Como se nada tivesse sucedido,
Não há ninguém a quem peça,
Nem a quem dirija o meu pedido.
Estou perdida neste mar inédito
Cheio de perigo e mistério,
A muita gente tenho dito
Que este é um assunto sério.
Amar sem ser correspondido,
Ser loucura o que se sente,
Naufragar e estar perdido
Na paixão do mar ardente!!...

Novembro 1998

Palavras..





As palavras escassearam
O tempo parou, inédito
A saudade...
O amor...
São palavras distantes
Que eu outrora conheci
Que se manifestam neste presente incerto
Tanta oportunidade perdida
Tanta saudade
Tanto amor
Tanta imensidão que encheu
Aquele transbordar de vazio
Afoguei-me nos sonhos
De palavras sem letras
Já só resta essa vasta fragância
Essa aroma de um beijo falso
Que matou impiedosamente a saudade
Que a deixou rastejando
Suplicando palavras de amor
Que nunca foram ditas
Já de nada serve um olhar frio
Aquele que me aquecia
Já de nada serve um sorriso cínico
Aquele que me mantinha a esperança
Já de nada serve um beijo falso
Aquele que fazia esquecer
Já de nada serve um “ desculpa”
Aquele que me fazia perdoar
Porque o orgulho tomou as rédeas do amor
E então ele deixou de ser livre
De pedir, suplicar, implorar.
Cada olhar frio, cada sorriso cínico
Cada beijo falso, desculpa
Mas o amor calou-se
As palavras já não correm supérfluas
As palavras rasgaram o silêncio
O tempo é o senhor da vontade
Este nada, esta ausência
Este amor...
Já de nada serve
Já só é simplesmente uma palavra.

1997

Vida minha (parte2)...


2ª - 19 Setembro 2001 (16horas)

Que pessimismo irritante que m irrita!!
E destrói!!
E vive em mim à espera de uma oportunidade para terminar a peça.
Teatro absurdo, a vida.
Tantas comédias e eu perdida no meu drama existencial.
Para quê pensar, questionar?! De nada serve, em nada nos alimenta.
Só consome o interior e torna o exterior imprevisível.
Tens de ser esperta.
Mas não podes pensar muito.
Atrapalha...
O que existe é o certo, todo o resto é o mal, o proibido...
Pecado original!!
Por isso sofremos.
Que seria de nós sem a dor?!
O que é que preencheria os telejornais e o coração das pessoas??!
E a dor assume todas as formas: a dor de orgulho, de criança quando lhe tiram o xupa da boca, de ofensas e guerrilhas.
Meu Deus!!
Falsas dores!!
Que servem de pretexto para tudo.
Até para matar milhares de pessoas, explodir aviões contra prédios.
E "brinca-se" ao esconde e foge, ao caça e apanha, como se de uma brincadeira se tratasse.
É mesmo isso!
A vida é tão curta, vamos passar o tempo a destruir.
Pretextos e motivos à descrição. Todas as maneiras, feitios e gostos. Leve 3 pague 1!!
Que faço eu "aqui"?!
Tudo se destrói.
O que m rodeia é que é pessimista!! Só tento respirar ar puro, mas já nada tem aquele aroma inconfundível de vida, paixão, calor…
Tudo é seco, abafado, transborda de insensatez e insanidade.
Ou serei eu a louca?!
Sei que me sinto.
Louca!!
Perdida!!
Pedrada!!
Adormecida para este mundo.
De que serve contar o segredo se ninguém ouve, ninguém se importa, ninguém se interessa...
Assisto...
Já não intervenho.
De que serve?!
De nada.
De nada...
E nada mais que isso...
Infelizmente.
Assisto...
Talvez um pouco impaciente.
De nada serve falar ao coração dos Homens se ate os telemóveis estão sempre ocupados.
(...)
Mas a morte não é nada comparada com a vida, a vida exige muito mais coragem e perseverança.
Eu espero pela morte, tentando ser corajosa pela vida.
A morte é o fim.
É a vida que nos revela tudo.
Mas ninguém vive!!
Que se passa?!
Porque sofrem e fazem sofrer com tanta facilidade??!
E gostam!!!
Estranho vício.
Estranho prazer...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Th death of the inner child



Estranha manhã... De repente parece que tudo me fugiu velozmente como se nunca me tivesse pertencido...
Passado para quê? Para quem? Porquê? Apetece-me gritar!! Se tivesse voz talvez o fizesse. Mas calo-me neste silêncio interior. Se havia vida para além deste corpo morreu! Não é Cristo e nao ressucitará ao terceiro grito de desobediência. Qual o castigo a aplicar quando morre a criança dentro de nós??!


2007

Wind on my feet...




Cenário diferente, dias iguais...
Começa o cheiro a terra quente... saudades do cheiro a terra molhada...
Sinto-me melhor em comparação, mas ainda nao me sinto bem em simples análise do meu Ser e do meu estado de espírito actual... Sou uma rapariga sortuda... tenho consciencia disso embora às vezes me esqueça o quanto custou aqui chegar, a este sítio que nao conheço...
Ouço o barulho do vento enlaçando as árvores e os arbustos... Sinto-o quando me toca e me refresca e se entretem fazendo cócegas aos meus pés descalços... Sensaçao agradável, a de liberdade, nem que seja têxtil... Seduz-me mais o Verao por estas pequenas coisas...


17 Abril 2007

Saying goodbye...


Ansiedade esquisita... sinto que volto ao início... Estou baralhada... Nao sei o que pensar sobre nós... se é que esse termo se chega a pôr em prática...
"Nós" parece-me tao incerto neste momento... Este impasse começa a mexer comigo e na ânsia de me livrar disso poderei excluir-te também a ti... do meu mundo... Mesmo que nao da minha vida... é o mais certo... Sou sim tão perversa quanto os meus segredos... e o meu segredo é o meu mundo mental... que raramente aceita turistas curiosos...
Ás vezes nao sei o que faça... se me afaste e sublime, se ignore ou seja infeliz, se enfrente e me magoe, se me permita a mim mesmo amar?! Que faço? Tu nao sabes o que queres e eu perco-me em divagaçoes, probabilidades, estatísticas e absurdos...
(...) há uma clivagem em mim, ambivalência, dualidade de critérios, sei lá... só sei que compreendo tudo e acima de tudo respeito, mas no entanto aquela vozinha só me diz "foge enquanto é possivel, foge com todas as forças que tiveres, o mais rápido que elas te permitirem!"...
Tento racionalizar porque confio em ti, a unica grande diferença com o passado... permito-me confiar em ti... deixo-me guiar pelo coraçao porque ele insiste que "és tu"! Ainda nao tenho forças para contrariá-lo e ele ainda me consegue fazer ver o principal... o que nos liga... o que tenta fazer de EU e TU um NÓS... este amor puro, esta falta de quando nao estás, esta vontade de estar, o ombro amigo...
Quero-te fazer acreditar, mas na viagem quem ainda se torna descrente sou eu... e depois sei que chegou o fim... nao lutarias por mim por achares que o amor pode ter alguma contra-indicaçao perigosa... mas nao... só o modo como o fazemos... Dá-me a sensaçao que nunca mais te vou ver às vezes, que vais adiar o que nao se pode adiar e ignorar tudo o que se passa agora... E eu tenho tentado tanto, inutilmente, nas últimas semanas... Já nem me revolto ou protesto... se tiver que ser que seja... perder-te... ter que te deixar ir...o meu coraçao ver partir um bocado dele, arrancado à força...
E outra opçao nao tenho senao deixar-te ir... sem reclamar, sem argumentar... Voltarás? Ambos sabemos que tudo dependerá da forma como dissemos adeus...

19 Novembro 2007

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Como a vida muda...



...como mudam as vontades, o tempo ou a falta dele..
Ouço mais uma vez o sinistro tic-tac dos relógios que assobram a cozinha... O relógio da parede, o relógio dentro de mim que já só conta dias... nao interessam os segundos, ou os minutos, ou mesmo as horas...
Sem memória, sem tempo, sem soluçao... Esta fase da minha vida chegou ao fim... Acabou-se o tempo para esta realidade... para este destino... Tento agora inventar outra realidade, outro destino, pintar outros dias na minha vida, mas teimo em usar as mesmas cores...
(...) estou cansada de me sentir cansada, perdoem-me o pleonasmo... Às vezes esse cansaço faz-me desejar tao fortemente desitir de tudo... mas estou cansada já para desistir ou para lutar... perdoem-me a anedonia...
(...) quero forças, quero tornar-me pessoa, nao passar a vida a regredir, a fantasiar ou a ansiar ou a iludir ou a nao aceitar o que realmente tem de ser para alcançar... Se tivesse um deus ao menos rezava agora... mas nao acredito num ser maior ou omnipotente, omnipresente... o pouco que acredito é em mim e nos Homens...

25/09/2009

Another day in life...


Mesmo café, mesmo pedido, mesmos sabores e cheiros... Daria tudo para viver mais, nao melhor ou pior... mas com a mesma intensidade dos anos de juventude.
As decisoes começam a ser registadas no grande livro de contas da vida. Nem sempre apresento recibo, mas sei que pagarei todas as facturas de todos estes comportamentos com ou sem sentido, com ou sem proposito... com ou sem vontade.... com ou sem justiça... com ou sem verdade... Verdade??!! Conceito pessoal e demasiado erróneo para lhe dar qualquer credibilidade... Sinto-me... Vazia nao! Sinto-me transparente... Evoluçao de estádios, mesma funçao e estratégia...
Apetecia-me "voar" por cima de mim própria... Reconhecer-me-ia se o fizesse??
A vida é tao "estranha"... nao a minha em particular, mas a vida em si... Nao só a da nossa espécie superior, mas a vida de todos os que respiram... Que respirem por narinas ou por guelrras, nao deixam de pertencer a toda esta estranheza...

19 Março 2007