Há muito que não escrevo, tanto que é deveras difícil concretizar o objectivo final desta caneta e deixá-la correr enquanto cria cadeias de símbolos…dar-lhes-ei alguma vez algum sentido?! Não creio… e o meu cepticismo acentua-se ainda mais quando tento atribuir significados descodificando o que nunca será um género de mensagem que aspira a ser coerente.
Tento ser coerente, mais do que posso ou quero…mas a inteligência obriga-me a adaptar-me, o que por vezes confundo com acomodar-me. Mas quem disse que a adaptação me faria alguém digno de inteligência?!
O G será cognitivo (factor) ou sexual (ponto)? De qualquer maneira alcançá-lo nas duas perspectivas torna-nos satisfeitos. Será que Spearman considera que a conquista intelectual equivale a uma vida orgásmica? Ou será o ponto sexual orgásmico contribuidor para uma vida intelectualmente prazerosa?
Talvez exista um ponto ou um factor geral ou erógeno na música e na dança…na dança da música…
O quanto é complexo e, antagonicamente modesto o acto que traduz fisicamente o que sentimos devido ao que os nossos ouvidos assimilam e o nosso cérebro codifica…para que da próxima vez somente descodifique e deixe a mente voar através do corpo. Como puderam um dia separar a soma da psique? É um amor obsessivo cúmplice, que assume as mais variadas formas fusiformes.
Será que as pessoas se apercebem do “milagre” que praticam com elas próprias enquanto a sua mente (a um nível consciente e a um nível inconsciente psicanalítico ou infraconsciente cognitivo) cria novas redes neuronais e provoca no corpo a reacção mais bela a observarmos no homo sapiens: dançar!
Porquê falar sobre a dança? Nem eu sei bem…para além da experiência pessoal e das inúmeras noite que me deliciei a praticar o que me proponho a investigar…as horas estáticas em que observei outros membros da espécie a baloiçarem-se em pistas de discotecas entre ritmos fortes, batidas desconcertantes, baladas límbicas, estilos que se intercruzam e provocam o que considero o comportamento mais mágico e complexo do Homem.
Não possuo respostas. Procuro as perguntas certas para não me perder entre o vasto leque de pontos de interrogação sem significante, que frequentemente me assaltam o pensamento diário e a vida onírica.
Ouvir sons, atribuir-lhes significados gerais e pessoais (interpretação cognitiva e emocional) e tentar exprimir isso através de movimentos corporais comporta um multifacetado processo de compreensão e comunicação gestual.
O que se passa a nível cerebral quando dançamos? Como actua o cérebro? O que provoca no corpo? Será algo inato ou uma resposta ambiental com fins (auto) terapêuticos que a filogenia condicionou e o simbolismo social e cultural atribuiu códigos e confinou a prática da arte da dança a sítios restritos e específicos?
2005
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